quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Entrevista: Autora Catarina Muniz


Olá meus queridos! Hoje vou falar um pouco sobre a autora Catarina Muniz, que tem um jornada maravilhosa como escritora de romances, eróticos, contos e muito mais. Ela nasceu em Alagoas e começou a escrever em 2012 como terapia, para superar alguns problemas pessoais, desde então tomou gosto pela escrita e não parou mais. Seu mais recente lançamento é o conto histórico "Bravo amor", lançado pela Qualis esse ano, na Bienal de São Paulo, como parte da antologia de época "Inesquecível". Leia a entrevista e conheça um pouco mais sobre Catarina e sua trajetória enquanto escritora.  

BIOGRAFIA

Catarina Muniz é alagoana, formada em Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e possui 09 obras publicadas, entre romances e contos, dentre eles os romances “A dama de papel”, “Carmim” e o conto “A mania da Ninfa”.
Bravo amor” é seu primeiro trabalho histórico brasileiro e é inspirado na vida de Maria Curupaiti, sertaneja pernambucana que disfarçou-se de soldado para acompanhar o marido no campo de batalha durante a Guerra do Paraguai.
Os escritos da autora ultrapassam as fronteiras dos gêneros: são românticos, eróticos, dramáticos, sarcásticos, poéticos, cínicos.
Não há limites, tampouco definições. Para ela, definir e limitar são, muitas vezes, verbos irmãos.

ENTREVISTA
QUANDO PERCEBEU QUE GOSTARIA DE SEGUIR A CARREIRA DE ESCRITORA?
Fui levada a isso. Eu comecei a escrever, publicar, ter um público leitor, que me levou a escrever novas histórias, publicar, ganhar novos leitores... Acho que a ficha caiu mesmo quando o “A dama de papel” foi publicado. Acho que foi o momento em que realmente me vi numa carreira, percebi que não iria mais parar.

O QUE TE LEVOU A COMEÇAR A ESCREVER CONTOS E POEMAS ERÓTICOS?
Foi muito por acaso. Na verdade, quando comecei a escrever contos e poemas eróticos, em 2012, eu atravessava o auge de uma grave Síndrome do Pânico que simplesmente colocou minha vida de cabeça pra baixo! Eu nunca tive sonhos ou planos de escrever, comecei a fazer isso como mera distração, uma espécie de catarse num momento difícil que atravessava. Publicava esses textos num blog anônimo que, para minha grande surpresa, começou a ter muitos acessos de várias partes do mundo. A partir daí, e incentivada por alguns amigos próximos, arrisquei escrever um livro. E em dois meses e meio eu finalizava então “O segredo de Montenegro”.

QUAIS DIFICULDADES AO ESCREVER CONTEÚDOS ERÓTICOS? A PRINCÍPIO HOUVE MUITAS CRÍTICAS?
Eu, particularmente, não sinto dificuldades em escrever conteúdo erótico porque gosto de arte erótica de uma forma geral. Tento explorar os momentos calientes de uma maneira quente, mas ao mesmo tempo sutil. Evito, por exemplo, certas palavras muito chulas, que não fazem parte do meu vocabulário, pois fica parecendo pornografia. Nada contra pornografia, simplesmente não é o meu estilo. As dificuldades surgem principalmente em função de alguns leitores homens, que acreditam que, por escrever erotismo, estou automaticamente aberta a convites e sugestões nada agradáveis. Infelizmente, é o preço que a mulher paga por se atrever a escrever conteúdo erótico numa sociedade ainda tão machista como a nossa, mas tenho sinceras esperanças de que isso mude em breve.

COMO PERCEBEU A ACEITAÇÃO DO PÚBLICO NO INÍCIO DA CARREIRA DE AUTORA?
No início, quando estava escrevendo “O Segredo de Montenegro”, a maior parte das reações foram de surpresa e até mesmo um certo desdém. Porém, quando viram o volume nas mãos, quando as pessoas começaram a ler a história, dar o feedback, perceberam que eu fazia um trabalho sério, que eu estava 100% envolvida com aquilo. A partir daí passaram não só a respeitar como até a admirar minha coragem. E logo depois, o lançamento de “A dama de papel” pela Universo dos Livros serviu para destruir de vez qualquer dúvida que ainda nutrissem sobre minha capacidade. Mas não foi fácil no início, e continua sendo um desafio ainda hoje.

COMO SE SENTIU AO SER CONVIDADA PARA PARTICIPAR DA COLETÂNEA LOVE IS IN THE AIR?
Senti-me absolutamente honrada, pois se trata de um livro lindo, bem escrito e diagramado, ao lado de escritoras talentosíssimas como Paola Scott, Tamires Barcellos e Eva Zooks. A própria temática do livro – histórias de amor em Londres – me atraiu profundamente, pois vi que era algo novo. Meu conto, “A mania da Ninfa”, possui uma carga erótica e dramática muito forte, que nem sempre deixa os leitores confortáveis. Mas até mesmo incomodar os leitores, quando não é algo gratuito, me traz satisfação, pois desse incômodo podem nascer muitas reflexões sobre a vida de uma forma geral. E essa consequência me agrada bastante, pois a sociedade hoje necessita profundamente de reflexões.

O LIVRO CARMIM POSSUI UMA HISTÓRIA MUITO COMPLEXA, QUE ABORDA ROMANCE, TRAMA E EROTISMO. O QUE TE MOTIVOU A ESCREVER ESSE LIVRO?
Eu não saberia dizer exatamente o que me motivou. As histórias brotam de minha mente de maneira muito espontânea, muitas vezes enquanto escuto uma canção ou mesmo durante um passeio pela cidade. Carmim é um romance que agrada a maioria das pessoas, apesar de conter temas polêmicos e uma dose de drama. Gosto muito do desenrolar da história, de como Carmen e Louis vão se envolvendo um pelo outro até não encontrarem mais saída. Talvez seja esse o aspecto que mais gosto nesse livro.
EXPERIÊNCIA ENQUANTO AUTORA:
A experiência como autora possui altos e baixos: há o cansaço, o receio de não conseguir agradar, ou de não conseguir superar o trabalho anterior, há a necessidade de se gastar horas e horas em pesquisa, de buscar se renovar e principalmente, jamais cometer o erro crasso de subestimar o leitor. Além disso, despedir-se de personagens é sempre dolorido, tanto que leva algum tempo entre o final de uma história e início de outra. É quase como respeitar um luto, ou um fim de relacionamento. Por outro lado, o contato com o leitor, ter a chance de emocioná-lo, de saber que sua história o acompanha nos momentos mais íntimos, como antes de dormir ou durante uma viagem, isso não tem preço!! O leitor compensa toda e qualquer dificuldade que eu enfrente no processo, sem sombra de dúvidas!

OS PRÓXIMOS PROJETOS DA AUTORA:
Há alguns em andamento, mas tenho me dedicado com mais afinco ao meu primeiro romance regional, que se passará em Alagoas e terá inspiração no Guerreiro Alagoano, folguedo mais popular do Estado e nascido em Alagoas por volta de 1927. Estou na fase de pesquisa, mas já comecei a escrevê-lo e estou bastante animada, pois será algo diferente de tudo o que já escrevi antes. Em 2019 teremos muitas novidades, com certeza!


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